Missionárias ajudarão governo em ação junto a povo indígena com alto índice de suicídios Missionárias da JOCUM (Jovens com uma Missão) integrarão uma expedição organizada pelos ministérios da Saúde e da Mulher, Família e Direitos Humanos para sanar uma “crise de saúde mental” que estaria por trás de suicídios recentes entre indígenas do povo suruwahá. A etnia, também conhecida como zuruahã, soma pouco menos de 200 integrantes.

Há evidências de que indivíduos do grupo estariam praticando o "autoenvenenamento", que é a principal causa de morte entre os suruwahás, responsável por mais de 80% dos óbitos entre os adultos.

Entre 1984 e 2018, segundo a Funai, houve uma média de 3,9 casos por ano no grupo; em 2019 foram cinco casos registrados.

Segundo informações, o trabalho da organização missionária cristã na equipe foi autorizado pela ministra Damares Alves. Elas participarão, nesta semana, de uma viagem organizada pelo governo federal ao território de um dos povos indígenas com menos laços com a sociedade brasileira majoritária: os suruwahás, do Amazonas.

Comporão a equipe duas indígenas ligadas à JOCUM.

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, diz que essas indígenas, Muwaji e Inikiru Suruwahá, trabalhão como intérpretes.

Ambas foram retiradas da aldeia por missionários da JOCUM há 14 anos. Desde então, uma delas se tornou missionária evangélica, e a outra se engajou em campanhas promovidas pela organização.

Em janeiro, Inikiru fez uma vaquinha online para financiar uma viagem missionária à Turquia. No texto em que pede doações, Inikiru diz vir "de um povo isolado, onde eles cometem suicídios por falta de esperança".

"Esperança, para mim, é falta do Evangelho — eu creio que o meu povo vai ser resgatado pela palavra da verdade do Evangelho", prossegue a indígena.
Inikiru diz então que, "em busca de levar essa palavra ao meu povo", frequentou uma Escola de Treinamento e Discipulado.

A viagem, entre os dias 12 e 22 de fevereiro, é uma iniciativa do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, chefiado por Damares, e da Sesai.