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Delação de Sérgio Cabral é homologada por Fachin

O ministro Edson Fachin, do STF, homologou a delação de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. Cabral está preso desde 2016 e já foi condenado a mais de 280 anos de prisão. Cabral primeiro negou ter recebido propina, mas em fevereiro de 2019 mudou de posição e passou a revelar os esquemas de corrupção que montou no Estado. Os termos da colaboração estão sob sigilo.



“Esse foi o meu erro de postura, de apego ao dinheiro, ao poder. Isso é um vício", disse o ex-governador em depoimento na 7ª Vara Federal Criminal. O ex-governador revelou recebimento de propina de empresários, empreiteiras e empresas que prestavam serviços ao governo em várias áreas.

Cabral também afirmou que houve compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Segundo Cabral, havia 'uma tradição' em cobrar propina de prestadores de serviços do Estado. No caso dos contratos da Saúde, ele disse que ficava com 3%, e o ex-secretário da Pasta, Sérgio Côrtes, com 2%. Em outro depoimento, o ex-governador disse que o esquema na Saúde também envolvia religiosos.

Ele citou os contratos do Estado com a Organização Social Pró-Saúde, administrada por padres da Igreja Católica e pelo cardeal D. Orani João Tempesta, arcebispo da Arquidiocese do Rio. Em nota, a Arquidiocese do Rio respondeu que a Igreja Católica no Rio de Janeiro e seu arcebispo "têm o único interesse que organizações sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum".

A Pró-Saúde emitiu uma nota sobre o caso:

"A nova diretoria da Pró-Saúde, entidade filantrópica e sem fins lucrativos, informa que, desde 2017, por iniciativa própria, tem se colocado à disposição das autoridades do Rio de Janeiro para oferecer informações, inclusive relacionadas à Operação SOS. Desde o início, portanto, colabora de forma irrestrita com as investigações.

Além da colaboração espontânea oferecida por integrantes da nova diretoria da Pró-Saúde, tem adotado políticas e ações para o fortalecimento de sua integridade institucional".



Vários foram os esquemas de propinas já revelados por Cabral. Eles envolvem inclusive um de seus grandes aliados, o ex-governador Pezão. No último depoimento prestado antes da homologação de sua delação premiada por Fachin, Cabral endossou o que delatou, em janeiro deste ano, o ex-operador e hoje colaborador das investigações Sérgio de Castro Oliveira, o Serjão, que disse que Pezão recebia uma mesada de R$ 150 mil durante o governo Cabral. E, ao explicar a suposta participação do ex-aliado na estruturação do esquema, alegou que a propina paga por fornecedoras em governos anteriores era ainda maior.



"Os fornecedores falavam em 10%, 15% (nos governos anteriores). Eram pagos pelas fornecedoras aos governos anteriores. Eu estabeleci junto com o Pezão um percentual de 5%: eram 3% para o meu núcleo, 1% para o dele, que era a Secretaria de Obras, e 1% para o Tribunal de Contas para a aprovação das licitações", disse. Pezão, que prestou depoimento no mesmo dia, negou as acusações. Irritado com o ex-aliado, criticou a mudança de versões dadas por ele em seus interrogatórios - citou, por exemplo, valores diferentes mencionados em depoimentos distintos.

O ex-governador disse acreditar que há uma conspiração por parte de Cabral, Serjão e outros dois delatores a fim de o prejudicar.