O estado mais cristão dos EUA O Alabama é o estado mais religioso dos Estados Unidos. É a "fivela" do chamado "cinturão da Bíblia" no sudeste do país, onde 82% de seus 4,8 milhões de habitantes dizem acreditar em Deus "com toda certeza", conforme números de pesquisa de 2016 do instituto Pew Research.

No Alabama, basta dar um passo para ver uma igreja. Por lá, o que mais toca nas rádios é o country cristão. As escolas públicas em breve poderão ter crucifixos em suas salas de aula. Os jovens aprendem a se manter castos até o casamento.

Este é o ambiente em que se acolhe a lei, aprovada em maio último, que considera o aborto um homicídio e que entrará em vigor em novembro, se não for bloqueada por um juiz antes.

O Estado não exige que suas escolas tratem de educação sexual, mas, se o fizerem, devem se ater a "instruções" do Código do Alabama, de 1975.

Nelas, "promove-se a abstinência, sobretudo, como a única forma segura de prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e gravidez indesejada", disse à AFP o porta-voz do Departamento da Educação do Alabama, Michael Sibley.

Sibley ressalta que essas exigências são um "mínimo obrigatório" e que as escolas podem ensinar outros métodos contraconceptivos, se suas juntas escolares assim permitirem.

O texto também orienta os professores a ensinarem que o "comportamento homossexual" é uma "ofensa criminal".

Para os conservadores religiosos, uma educação sexual ampla deforma os valores que os adolescentes aprendem em casa.

Os legisladores do Alabama também aprovaram uma lei que permite ensinar a Bíblia e a história da religião nas escolas públicas, assim como expor símbolos religiosos nas aulas.

A medida, que segundo seus críticos acabará cedendo espaço para a evangelização, está à espera do sinal verde da governadora Kay Ivey. Com base em argumentos cristãos, a governadora já sancionou o decreto antiaborto.

"Vários estados estão propondo aulas da Bíblia", tuitou o presidente Donald Trump em janeiro, depois que um grupo de estados começou a apresentar projetos similares. "Genial!", acrescentou o mandatário.

Kay Ivey, assinou, na segunda-feira (10), uma nova legislação que endurece as penas para predadores sexuais. O texto da lei estabelece que os abusadores de menores de 13 anos já condenados só poderão ter direito à liberdade vigiada se forem submetidos a um processo de castração química.