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Umbandistas são impedidos de fazer ritual em igreja Religiosos de matriz africana e católicos estão travando uma grande polêmica nas redes sociais, onde o primeiro segmento reclamou por ter sido barrado em um dos mais tradicionais templos católicos de Porto Alegre no dia 18 deste mês. A Igreja do Rosário, no Centro Histórico, teria desautorizado um grupo a realizar parte de um ritual dentro do prédio.  Na ocasião, foi apresentada a eles uma carta que deseja boas-vindas "aos membros de religiões afro", que, na sequência, enumera cinco orientações, incluindo a de "nunca deitar e rolar na igreja". Após reunir-se com o arcebispo Dom Jaime Spengler, o presidente da Federação Afro-Umbandista Espiritualista do Rio Grande do Sul (Fauers), Everton Alfonsin, acredita que o impasse foi solucionado.

A discussão foi registrada em vídeo e postada no Facebook no final de semana, recebendo mais de 1,3 mil compartilhamentos. A técnica em segurança do trabalho Juçara Alves, 60 anos, autora do post, defendeu que a atitude da igreja "foi discriminatória e arbitrária". Juçara recebeu comentários de apoio, mas também viu reascender uma polêmica histórica. "Nenhum padre vai incomodar nos terreiros, cada um no seu quadrado", respondeu uma usuária da rede social.

De acordo com o presidente da Fauers, situações semelhantes se repetiram pelo menos duas vezes desde dezembro na Igreja do Rosário. Everton explica que templos católicos são usados por adeptos de religiões de matriz africana durante uma ritualística chamada "passeio". O ritual pode ser celebrado em qualquer igreja, mas a do Rosário é muito procurada em razão da sua história.

O presidente da Fauers critica o tratamento recebido pelos religiosos inicialmente na igreja, mas vê como positivo o desfecho da história. As incidências fizeram o líder procurar a Arquidiocese Metropolitana para uma conversa na terça-feira (21) — foi recebido pelo arcebispo Dom Jaime Spengler e pelo bispo auxiliar dom Darley José Kumme. Segundo Everton, os religiosos solicitaram que ele escrevesse em detalhes o ritual para que seja informado às igrejas.

Ele afirma que os grupos seguirão procurando a Igreja do Rosário para fazer parte da ritualística, inclusive realizando o movimento de "bater cabeça", se quiserem. 

Por meio de nota, a instituição destacou que "reforça seu respeito pelas distintas tradições religiosas, e valoriza e promove o diálogo inter-religioso".  Afirmou ainda que o Santuário Nossa Senhora do Rosário cultiva a tradição de orientar todos os que o frequentam  "entregando algumas orientações escritas para que sejam preservados o espaço sagrado, a celebração litúrgica e a sensibilidade dos fiéis católicos que ali se encontram". Conforme a nota, esse papel é entregue na recepção da igreja e está afixado no mural da entrada.

A carta direcionada a religiosos de matriz africana tem entre as determinações "nunca deitar e rolar na igreja", "nunca bater sineta" e "não colocar alimentos em cima do altar". A Arquidiocese não esclareceu se a Igreja do Rosário recuou das determinações, mas garantiu que o papel segue exposto no templo.