Igreja da Inglaterra defende uso medicinal da maconha O órgão responsável por administrar os fundos da Igreja da Inglaterra disse estar disposto a investir na indústria medicinal de cannabis pela primeira vez, afirmando que a droga segue o mesmo padrão dos outros produtos farmacêuticos.

Os Comissários da Igreja são o fundo de doações históricas da Igreja e detêm ativos no valor de £ 8,2 bilhões (quase US $ 10,4 milhões). Os Comissários da Igreja são um fundo fechado, o que significa que não aceitam novas contribuições. Os lucros dos investimentos são usados para pagar os custos dos bispos e do ministério, apoiando as dioceses locais e as pensões do clero.

O anúncio segue uma mudança na lei no Reino Unido com relação à cannabis medicinal. O Reino Unido legalizou o uso de cannabis medicinal em novembro de 2018, seguindo os passos do Canadá e muitos estados nos EUA.

Hari Guliani, chefe de operações da cannabis medicinal britânica Grow Biotech, disse à ABC News que o anúncio é "indicativo de que as percepções da cannabis medicinal estão mudando em todos os sentidos".

"Há muita pesquisa sendo realizada globalmente sobre cannabis medicinal que ajudará o entendimento de todos, mas parece que a distinção entre cannabis medicinal e recreativo ainda não está clara para algumas pessoas", disse ele. "Com grupos como a Igreja da Inglaterra, considerando investimentos em cannabis medicinal, podemos esperar que as percepções continuem a mudar."

Ao contrário do que algumas correntes divulgam, especialistas afirmam que a maconha pode causar dependência, sim. Cerca de 30% das pessoas que experimentam a droga tornam-se usuários regulares e 10% criam dependência. Portanto, 1 em cada 10 usuários se tornará dependente, uma taxa semelhante ao que ocorre com o álcool, mas bem menor do que com o cigarro.

Usuários pesados podem apresentar síndrome de abstinência quando interrompem o seu uso crônico. Os sintomas podem durar semanas e incluem insônia, depressão, náuseas, agressividade, anorexia e tremores.

A maconha apresenta cerca de 60 derivados canabinóides diferentes sendo o tetrahidrocanabinol (THC) a substância mais psicoativa. Ao longo dos últimos 50 anos as concentrações de THC na maconha vêm aumentando progressivamente, saindo de cerca de 5% na década de 1960 para até 15% nos dias de hoje, o que justifica uma maior taxa de pacientes dependentes atualmente, apesar do pico de consumo ter ocorrido no final da década de 70, época em que mais 60% dos jovens admitiam usar a droga.

Também há clara relação entre o uso de maconha e uma maior chance de consumo de outras drogas. A maconha é a chamada porta de entrada para drogas mais pesadas.