Indonésia vive avivamento cristão

Milhões de pessoas na Indonésia estão se tornando cristãs, apesar dos esforços de autoridades e militantes para deter essa tendência. Em meio à turbulência no país, devido às recentes eleições, a maior nação muçulmana do mundo experimenta um crescimento sem precedentes da igreja. Pelo menos três a quatro milhões de indonésios “se voltaram para Cristo” no ano passado, segundo autoridades cristãs com conhecimento muito próximo da situação. Todos falaram sob condição de anonimato, já que a questão da conversão permanece altamente sensível na Indonésia, onde dezenas de pessoas foram presas ou até mesmo mortas sob acusações de “blasfêmia” contra o Islã.



Cerca de 90 por cento dos 260 milhões de habitantes da Indonésia são muçulmanos. Em Jacarta, a capital, pelo menos 40% a 50% dos moradores podem ser “cristãos”, segundo estimativas de grupos da Igreja. Ainda não está claro quantos deles são “nascidos de novo”, um movimento que envolve a aceitação de Jesus Cristo como “Senhor e Salvador pessoal”. “Ser ‘nascido de novo’ é visto por muitos pastores aqui como a essência do cristianismo”, informa o BNF.



Maioria muçulmana

Os muçulmanos respondem por cerca de 90% dos mais de 260 milhões de habitantes da Indonésia, disse a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), mas essas estimativas do governo americano são de 2010. Além disso, o número de cristãos, incluindo protestantes (7%) e católicos (2,9%) têm crescido constantemente.



“Esperamos que metade dos indonésios seja ‘cristã’, pelo menos no nome, dentro de cinco a dez anos”, disse um líder da igreja e evangelista à BosNewsLife. Isso poderia significar que cerca de 130 milhões de indonésios se identificando com a fé cristã até 2028.



Perseguição e prisões

Atualmente, a situação na Indonésia é desfavorável à minoria cristã. Pelo menos seis pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos tumultos mais recentes na capital do país, depois que a Comissão Geral de Eleições confirmou que o presidente Joko Widodo havia agredido seu desafiante, o ex-general Prabowo Subianto, nas eleições de 17 de abril.



No ano passado, o governador cristão de Jacarta foi condenado a dois anos de prisão por blasfêmia em um caso que os críticos afirmam ter minado a reputação da Indonésia de praticar uma forma moderada de islamismo. Basuki “Ahok” Tjahaja Purnama recorreu da sentença de culpado, após o painel de cinco juízes dizer que ele foi “convincentemente provado culpado de blasfêmia”.



O governador argumentou que as pessoas estavam sendo enganadas se acreditassem que o Alcorão, livro sagrado do islamismo, proíbe os muçulmanos de votar em não muçulmanos. Ele também ficou sob o fogo por muitas vezes citando a Bíblia e sua fé cristã em discursos, de acordo com informações da BNF.



“O caso com o governador mostra que ser cristão pode prejudicar sua carreira na Indonésia hoje”, disse uma mulher cristã dedicada e obreira da igreja. “É talvez por isso que muitos cristãos podem até permanecer muçulmanos no papel”, acrescentou ela, referindo-se às preferências religiosas em carteiras de identidade e outros documentos.



A Indonésia se classificou em 30º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019 da organização Portas Abertas, com aumento de 6 pontos comparado ao ano anterior.