Ateus tentam impedir música gospel no Réveillon do Rio

A participação do gospel no Réveillon do Rio de Janeiro está ameaçada. Insatisfeita com a inclusão do estilo de música mais ouvido no Estado na festa da virada, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) moveu um processo contra o prefeito Marcelo Crivella.



O Tribunal de Justiça do Rio acatou o pedido e determinou, nesta quinta-feira (19), a suspensão do show da cantora gospel Anayle Sullivan na festa de réveillon de Copacabana, promovida pela prefeitura. 



Desconsiderando o fato de que outros estilos musicais estarão representados na noite do dia 31 na praia de Copacabana, a Atea diz que é um erro da prefeitura utilizar verba pública para financiar uma atividade que é voltada para a fé de uma religião, neste caso o cristianismo.



Caso a decisão seja descumprida, a prefeitura deve pagar uma multa de R$ 300 mil, estabelecida pela juíza Ana Cecília Argueso Gomes de Almeida.



“Essa ideia de mais três palcos em Copacabana […] também dá espaço à canção gospel, que é na nossa cidade o primeiro lugar disparado nas rádios. Essa música, pela primeira vez, terá palco especial para ela”, disse Crivella.



Para os ateus, a inclusão de música gospel no Réveillon do Rio de Janeiro viola “a laicidade do Estado e, consequentemente, o patrimônio público e os interesses difusos da coletividade”.



Parte do posicionamento dos ateus e agnósticos se fundamenta na ideia de que “a música gospel em nada difere, em conteúdo, da pregação religiosa habitual de pastores e ministros de confissões religiosas”.



Para a Riotur, no entanto, empresa responsável pela programação do Réveillon do Rio de Janeiro, a inclusão de música gospel no evento apenas atende ao princípio da pluralidade, visto que a música cristã, como qualquer outra, representa os interesses de parte da população.



“Trata-se de uma festa democrática. Qualquer interpretação além disso parece ser uma manifestação de preconceito”, afirmou a organização.



Os palcos espalhados pela orla de Copacabana tocarão diversos ritmos, passando pelo samba, pagode, rock, funk, entre outros. O gospel agora é uma incógnita.