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Câncer de próstata poderá ser detectado por exame de urina Um estudo do Laboratório de Investigação Médica da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em conjunto com o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da USP, conseguiu identificar pacientes com câncer de próstata a partir do exame de amostras de urina. A pesquisa discrimina perfeitamente condições potenciais para a detecção da doença.

"A urina pode conter elementos que reflitam os processos bioquímicos relacionados ao desenvolvimento de um tumor", explica a doutora Katia Leite, chefe do Laboratório de Investigação Médica da Urologia da FMUSP e diretora científica da Genoa/LPCM.

O estudo foi realizado em conjunto com o professor Giuseppe Palmisano, do ICB da USP, e avaliou 12 pacientes, metade com câncer de próstata e metade com hiperplasia benigna. Concluiu que um painel de 56 glicoproteínas (tipo de proteína ligado a um carboidrato) nas amostras de urina alcançou uma precisão de 100% no diagnóstico do câncer de próstata.

Em trabalho subsequente, analisando o tecido prostático obtido por biópsia, um painel de 11 proteínas conseguiu discriminar pacientes com câncer de próstata favorável e desfavorável. Para a doutora Katia, essa informação é de enorme relevância, pois conduz a escolha do tratamento, que inicialmente pode ser baseado na observação.

"A busca por rastreadores de diagnóstico e prognóstico para substituir testes com baixa confiabilidade ou invasivos é extremamente importante. Apesar de existirem testes semelhantes disponíveis comercialmente, esses exames têm alto custo e baixa disponibilidade. O que procuramos são marcadores específicos, sensíveis a baixo custo para o uso na população brasileira", afirma a doutora.

Atualmente, o câncer de próstata é classificado pela escala de Gleason ou ISUP (International Society of Urological Pathology), o indicador prognóstico mais importante para determinar o direcionamento terapêutico. No entanto, o sistema tem limitações por conta da heterogeneidade do tumor, amostragem limitada e subjetividade na interpretação da biópsia.

As escalas classificam o câncer em pontuações variáveis de 6 e 10 (Gleason) ou de 1 a 5 (ISUP), sendo o Gleason 6 ou ISUP 1 o tumor mais bem diferenciado e, portanto, de prognóstico favorável.

"Os tumores benignos e pequenos podem ser manejados de modo expectante, conduta denominada "active surveillance" ou vigilância ativa, onde o tratamento curativo pode ser postergado, evitando assim seus possíveis efeitos colaterais", diz a especialista.

A biópsia é a única maneira de se diagnosticar o câncer de próstata e definir seu potencial de agressividade. Porém, por ser invasivo, não é isento de morbidades como a infecção e o sangramento. Ainda é o exame mais importante e continuará sendo para o diagnóstico do câncer da próstata.

"O avanço dos testes não invasivos tem como objetivo a redução do número de biópsias e a melhor caracterização do potencial de agressividade do tumor, e pode ter um grande impacto econômico e no bem-estar do homem", finaliza a diretora científica da Genoa/LPCM.