Governo da Nicarágua ataca igrejas A violência na Nicarágua também chegou às igrejas. Apoiadores do presidente Daniel Ortega mantém o cerco à Catedral de Manágua, onde invadiram na segunda-feira (18) para desalojar oponentes em greve de fome e atacar os padres, enquanto a polícia cercava o templo para impedir o acesso a ele.

A violência da repressão desencadeada por parte do governo sandinista foi alvo de crítica das Nações Unidas.

Os grupos de opositores jejuam na Catedral como parte da campanha "Natal sem presos políticos". O governo não reconhece, porém, a existência de presos políticos na Nicarágua.

A arquidiocese da capital da Nicarágua denunciou que partidários do governo invadiram a catedral de maneira violenta.

"Grupos violentos ligados ao governo invadiram e tomaram o controle da catedral de Manágua. Quando foram questionados pelo padre Rodolfo López e pela freira Arelis Guzmán, estas pessoas responderam com violência contra os religiosos", afirmou a arquidiocese, presidida pelo cardeal Leopoldo Brenes, em um comunicado.

Também quebraram os cadeados do campanário e outros pontos da catedral, acusou a igreja, que considerou o ocorrido uma "profanação" e pediu ao presidente Ortega que respeite os templos católicos.

A repressão aconteceu depois que a opositora Unidade Nacional Azul e Branco (UNAB), que reúne 92 grupos, anunciou novas ações de pressão contra o governo dentro de sua campanha.

Ortega já chamou os bispos católicos de "golpistas" por seu apoio aos manifestantes que foram feridos durante os protestos de abril de 2018. O governo atribuiu o episódio a uma tentativa frustrada de golpe de Estado.

O gabinete da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça (19) que o governo da Nicarágua "acabe com a repressão persistente da dissidência", diante da violência e do cerco aos templos católicos no país.