Toffoli desiste de acessar dados de 600 mil contribuintes O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, revogou sua decisão que lhe dava acesso a todos os relatórios elaborados pela UIF (Unidade de Inteligência Financeira) do Banco Central, órgão que sucedeu o antigo Coaf, nos últimos três anos. Caso prosseguisse, Toffoli teria acesso a dados sigilosos de 600 mil contribuintes.

Ontem (18), Toffoli se reuniu com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com o advogado-geral da União, André Mendonça, e com o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o tema do encontro foi o julgamento marcado para amanhã (20) na corte sobre o uso de relatórios de inteligência financeira sem autorização judicial.

Já à noite, o ministro recuou de sua decisão — depois de na sexta-feira rejeitar pedido de Aras para que a revogasse —, alegando ter recebido dados satisfatórios da UIF.

"Diante das informações satisfatoriamente prestadas pela UIF, em atendimento ao pedido dessa Corte, em 15/11/19, torno sem efeito a decisão na parte em que foram solicitadas, em 25/10/19 cópia dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), expedidos nos últimos três anos", escreveu o presidente do Supremo.

"Ressalto que esta corte não realizou o cadastro necessário e jamais acessou os relatórios de inteligência."

Nas redes sociais, Toffoli chegou a ser acusado de abuso de poder e a palavra “impeachment” foi associada diversas vezes ao seu nome.