A renúncia de Evo Morales, após três semanas de protestos contra sua reeleição e depois de perder o apoio das Forças Armadas, deixou um vácuo de poder na Bolívia. No momento ninguém sabe quem vai comandar o país.



A Constituição prevê que a sucessão começa com o vice-presidente, depois passa para o titular do Senado e depois para o presidente da Câmara dos Deputados, mas todos eles renunciaram com Morales.



Neste cenário, a segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, reivindicou o direito de assumir a presidência da Bolívia. A decisão será tomada só nos próximos dias.



Os principais aliados ideológicos de Morales na América Latina, Cuba, Venezuela e Nicarágua, denunciaram o que consideram ter sido um "golpe de Estado". A mesma crítica foi feita pelo presidente eleito argentino, Alberto Fernández, e pelo ex-presidente brasileiro Lula.



O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, disse que a palavra “golpe” é usada só quando a esquerda perde.   Nas redes sociais, Bolsonaro disse que a lição que fica para os brasileiros é a necessidade de votos que possam ser auditados. Para o presidente, o voto impresso “é sinal de clareza para o Brasil!”.



Cerca de uma hora antes do anúncio da renúncia de Morales, o governo brasileiro já havia se manifestado, por meio do Ministério das Relações Exteriores, sobre as  irregularidades apontadas no processo eleitoral boliviano pela Organização dos Estados Americanos que pedia a convocação de um novo processo eleitoral.