É preciso focar no bem-estar do professor para melhorar a aprendizagem dos alunos, diz especialista O Dia do Professor, celebrado nesta terça-feira, 15 de outubro, é uma oportunidade de refletir sobre a realidade e o desenvolvimento do profissional disseminador de conhecimento.

A profissão é considerada a mais numerosa no Brasil, segundo dados da pesquisa Profissão Professor 2019 realizada pela organização Todos pela Educação. No entanto, o país está em último lugar no ranking de valorização de professores no levantamento feito este ano com 35 países pela Varkey Foundation.

Um dos fatores que levam ao resultado da desvalorização do profissional é a violência em sala de aula. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos educadores do país afirmam ter sofrido algum tipo de agressão no ambiente escolar.

Para Eduardo Calbucci, educador e fundador do Programa Semente – programa estruturado de aprendizagem socioemocional –, o número revela o reflexo de uma sociedade violenta dentro da escola.

“Quanto mais as pessoas se dispõem a resolver conflitos por meio da violência e agressividade na sociedade em geral, mais isso se torna um aprendizado ruim para crianças e jovens, e acaba sendo levado para o ambiente escolar”, afirma. “Uma das maneiras de combater essa violência é, justamente, por meio da educação”.

Calbucci explica que trabalhar o bem-estar do professor é uma das maneiras de melhorar o convívio nas instituições de ensino, resultando na melhor aprendizagem dos alunos e, consequentemente, na redução da violência.

“Nós precisamos que todos os elos na escola tenham laços com as competências socioemocionais, o que significa não só fazer o professor ensinar essas habilidades ao aluno, mas também focar no bem-estar do professor, pois o aluno sai ganhando também”, diz o educador.

O especialista aponta que a aprendizagem socioemocional voltada para educadores é uma forma de prepará-lo previamente para a resolução de conflitos e adversidades que surgem no dia a dia dentro da sala de aula.

“Cursos de aprendizagem socioemocional para educadores permitem que o professor adquira competências que o tornem mais consciente das suas habilidades, passando a ter uma capacidade maior de enfrentar diferentes situações”, conta.

Vale ressaltar que a aprendizagem socioemocional é apenas uma ferramenta para ajudar a diminuir os problemas enfrentados pelos professores brasileiros, que têm ainda que lidar com a desvalorização e a baixa remuneração, situações que estão fora de seu controle.

Eduardo Calbucci esclarece que o ensino socioemocional auxilia o educador a se empenhar naquilo que está sob seu controle, como as práticas pedagógicas e o relacionamento com seus alunos.

“Há uma série de outros problemas que não é possível resolver com aprendizagem socioemocional, mas com ela nós estamos olhando para um aspecto do problema e dizendo que, nesse aspecto especificamente, temos uma ferramenta que pode melhorar o bem-estar e a prática pedagógica”.

Conscientizar os professores de suas próprias habilidades vem sendo um trabalho fundamental no meio educacional, mostrando seu novo papel na sociedade.

“Os professores estão entendendo que a função deles na escola vai além dos conteúdos programáticos tradicionais (que continuam tendo a mesma importância), e cada um está adquirindo consciência de como as próprias questões socioemocionais, se discutidas de modo estruturado, passam a ter um impacto decisivo na aprendizagem do aluno e no desenvolvimento pessoal e profissional do professor”, conclui.

Com uma abordagem moderna e inovadora, o Programa Semente está presente em escolas brasileiras contribuindo para o desenvolvimento socioemocional de alunos e educadores.

A partir de um material escrito por educadores, médicos e psicólogos, sua metodologia possibilita que sejam trabalhadas em sala de aula questões como sociabilidade, autoconhecimento, autocontrole, empatia e decisões responsáveis, entre outras habilidades, cada vez mais presentes no mundo do trabalho e nas principais avaliações internacionais de educação. Desta forma, o Programa Semente contribui para a alfabetização emocional.