Navio fantasma pode ter derramado óleo nas praias do Nordeste

Parece ficção, mas a nova hipótese para o óleo que se espalha pelo mar do Nordeste brasileiro tem fundamento. A Marinha e cientistas brasileiros investigam se uma embarcação fantasma, sem localizador, seria a responsável pelo desastre que atingiu a costa nordestina.



Após 42 dias, a área atingida pelas manchas de petróleo continua aumentando. Três testes confirmam que o petróleo vem da Venezuela. A identificação é precisa a nível molecular e foi feita por um equipamento que separa e mede cada componente do óleo. O resultado é um gráfico, como se fosse o DNA do óleo. A Petrobras analisou 30 amostras e descobriu que o óleo cru foi misturado com produto refinado.



O mistério é onde esse petróleo vazou no mar. Um pesquisador do Inpe criou um modelo matemático que leva em consideração o ritmo de aparecimento das manchas no litoral e o comportamento das correntes marinhas dia a dia, e chegou a um ponto a 400 quilômetros da costa, entre o Recife e Maceió, bem no cruzamento de duas rotas marítimas importantes.



A Marinha agora concentra as investigações na área que avança 800 quilômetros pelo mar. A Marinha pode acompanhar todos os navios - sabendo rota, carga e velocidade - em tempo real.



Em um mês, do início de setembro a início de outubro, 1060 navios tanque, carregando petróleo ou derivados, passaram pela área; 30 estão sendo investigados.



A Marinha trabalha com a hipótese de que um navio não registrado, que não usa ou desliga o sinalizador e, portanto, está fora dos sistemas de monitoramento tenha naufragado e derramado o óleo. Essa hipótese surge por questões políticas: o embargo americano ao petróleo da Venezuela. Um navio fantasma poderia ter vazado o óleo e seguido viagem.



No entanto, a primeira pista concreta da origem do vazamento que já contamina 71 municípios litorâneos é o laudo produzido por técnicos da Universidade Federal de Sergipe. O exame concluiu que o óleo de barris descobertos no litoral do estado é o mesmo das manchas de petróleo que atingem as praias do Nordeste. Os barris contêm a inscrição "Argina S3 30", um lubrificante da marca Shell, além de etiquetas da multinacional de petróleo.