Evidências da ressurreição de Jesus

Em vigência do fato daquilo que o apóstolo Pedro diz, que devemos estar aptos a dar razão da nossa fé, gostaria de hoje apresentar 10 argumentos apologéticos em favor da ressurreição de Cristo; isto é, o tema central de todo o cristianismo.

1. A Bíblia como livro histórico: as Escrituras não são tão somente um compêndio de teologia e doutrinas, elas também se referem diretamente a história da humanidade, de modo que os acontecimentos ali narrados são eventos reais. Se pegarmos o prólogo de Lucas ao seu evangelho (Lc 1:1-4) vemos como o evangelista é claro em afirmar o seu grande trabalho de pesquisa, e seu objetivo em trazer um relato buscado com testemunhas oculares dos eventos (o exemplo clássico é que Lucas conversou diretamente com Maria acerca dos eventos da infância de Cristo). Nesse sentido, ele irá datar os eventos que contextualizam o nascimento de Jesus (Lc 2:1-2): durante o império de César e Quirino. Portanto a historicidade da Bíblia é inegável e seu relato é por si só válido como referencial.

2. O não reconhecimento inicial das testemunhas: quando Jesus se apresenta ressurreto as mulheres no túmulo em João 20:11-14, posteriormente aos discípulos na praia (Jo 21:1-4) e aos discípulos no caminho de Emaús (Lc 24:13-25), nessas três situações nenhum deles reconheceram a Jesus. Isso faz calar o argumento de que os seguidores de Jesus queriam tanto vê-lo vivo, que devido a carga emotiva que sentiam, foram capazes de imaginá-lo vivo. É evidente que o ocorrido foi justamente o oposto radical, os discípulos e as mulheres estavam em um luto tão profundo que foram incapazes de o reconhecer estando vivo. Logo a versão que diz que Cristo era uma alucinação, é uma falácia. Sem entrar nas considerações psicopatológicas que tornam impossível uma alucinação visual tão elaborada (a menos que todos tivessem um tumor cerebral ou demência por corpos de Lewi, que obviamente não era o caso).

3. A fragilidade do argumento de autoridade confirma a veracidade do relato: esse ponto é uma derivação do anterior. Ora, se João quisesse deturpar os acontecimentos ou forçar os fatos ele jamais iniciaria a descrição dos primeiros aparecimentos de Jesus ressuscitado com dúvida dos que o viram. Muito simples: se eu quero te convencer que hoje eu vi um anjo na minha sala, eu irei te dizer que vi, mas que meu pai também viu, minha mãe também e até meus irmãos; eu jamais diria “olha eu vi sim um anjo, mas meu pai quando olhou ficou em dúvida, minha mãe não teve certeza, meus irmãos não o reconheceram”, isso tudo iria contra meu intento de provar que vi um anjo. Como os evangelistas expõem esse primeiro não reconhecimento, é claro o compromisso deles com a narração verídica e sem alterações dos fatos. Eles não precisavam aumentar ou forçar nada para que fosse crido que Jesus ressuscitou.

4. O testemunho das mulheres: as primeiras pessoas que viram Jesus ressuscitado foram às mulheres. Caso tudo não passasse de um mito, jamais mulheres poderiam ser as primeiras testemunhas, pelo simples fato de que caso houvesse um julgamento elas não poderiam depor em favor da ressurreição, visto que mulheres não tinham voz em um tribunal. Logo seria um erro estratégico absurdo, inconsistente com toda a profundidade dos ensinamentos do próprio Jesus, aparecer primeiro a mulheres; a menos é claro, que o tal relato seja justamente a verdade e não uma invenção literária, que obviamente é o fato, visto Jesus ter ressuscitado.

5. O selo quebrado: Mateus 27:60-62 nos mostra que os sacerdotes preocupados que pudessem roubar o corpo de Jesus pediram a Roma uma escolta para o túmulo, o que foi concedida por Pilatos, que além de enviar soldados, selou a entrada. Isso significa que o emblema de Roma estava posto na entrada do túmulo e a violação deste significava a pena capital de ser crucificado de cabeça para baixo. Sendo assim o argumento que diz que os discípulos roubaram o corpo de Cristo para criar o boato da ressurreição, torna-se estapafúrdio. Primeiro porque já demonstramos que os discípulos tiveram muita dificuldade para crer nessa ressurreição, logo eles jamais correriam todo esse risco para simplesmente roubar o corpo por algo que não eram capazes de acreditar. Somos capazes de fazer loucuras por aquilo que cremos, não por aquilo que desacreditamos. Eles teriam que enfrentar a guarda romana e violar o selo. Um risco completamente desproporcional a fé deles neste momento, que já haviam retornado às suas antigas ocupações. Vale reforçar que os sacerdotes fizeram tudo isso no sábado, ou seja, cometeram o sacrilégio que tanto acusavam Jesus: profanar o sábado.

6. Os soldados: a pena para um soldado que abandonasse o seu posto seria ser queimado vivo. Com isso temos alguns problemas: eles jamais abandonariam a entrada do túmulo, caso alguém tentasse roubar o corpo de Jesus, necessariamente teria que confrontá-los até a morte. Mas nada disso aconteceu muito pelo contrário. Mateus 28:11-15 explica que os sacerdotes subornaram os guardas para contarem a versão de que o corpo havia sido roubado enquanto dormiam. Ora se é preciso subornar alguém para este contar a sua versão dos fatos, a credibilidade do seu relato já é posta em xeque. Além disso, Agostinho diz com muita propriedade que se os soldados estavam dormindo, como poderiam saber que o corpo foi roubado pelos discípulos de Jesus? Por outro lado, se eles estavam acordados, por que não impediram o roubo, desobedecendo a ordem direta de Roma?

7. A pedra removida: Marcos 16:1-3 expõe a preocupação das mulheres em relação a quem removeria a pedra, posta na entrada do túmulo, para que elas visitassem o corpo. De cara, entendemos que elas tinham certeza que a pedra continuava tampando a entrada e que elas mesmas seriam incapazes de removê-la, ainda que estivessem em número de três. Precisamos considerar que a pedra pesava centenas deu quilos e que o sentido grego do termo “remover” refere-se a arrastar pra cima. Ou seja, quando elas chegam e veem a pedra arrastada para cima, era evidente a ação milagrosa, visto ser humanamente impossível tirar a pedra da boca do túmulo. Lembremos que a principal preocupação dos sacerdotes era com o fato de Jesus ter dito que ressuscitaria ao terceiro dia, por isso eles tomaram todas as medidas possíveis, físicas, para impedir a saída do corpo.

8. A corporeidade da ressurreição: outro grave erro é considerar que Jesus ressuscitou apenas em espírito ou de forma fantasmagórica; Cristo ressuscitou em carne, em corpo físico. Primeiro, que caso a ressurreição fosse apenas espiritual o que fora feito do corpo, que não se achava mais no túmulo? Segundo que por diversas vezes Ele fez questão de comprovar sua corporeidade: Quando Ele aparece para Tomé (Jo 20:24-27), o discípulo não acredita que Jesus ressuscitou; Jesus então pede para que Tomé toque em suas mãos e em seu dorso, para sentir através do tato os seus ferimentos; o que obviamente só pôde ser possível mediante um corpo físico de Jesus e não apenas transcendental. Da mesma forma em João 21:9-14, Jesus ainda na praia pegou, fisicamente, no pão e no peixe para entregar aos seus discípulos e ainda comeu com eles. Por fim, em Lucas 24:36-43 Jesus combate diretamente a incredulidade da sua corporeidade, vale a citação direta do texto: “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado. E ele comeu na presença deles.”

9. As testemunhas: Jesus apareceu para centenas de pessoas após sua ressurreição. Eu poderia apenas dizer que ele surgiu para 500 pessoas na Galileia conforme relato de Paulo, mas detalhemos mais as testemunhas: 1- Jesus aparece para Madalena no túmulo (Mc 16:9-11); 2- Jesus aparece para as demais mulheres (Mt 28:5-10); 3- aparece para os dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24:13-35); 4- aparece para Pedro (Lc 24:34); 5- aparece para 10 apóstolos (Jo 20:19-25); 6- Jesus aparece aos 11, incluindo Tomé (Jo 20:26-29); 7- aparece novamente aos apóstolos na praia (Jo 21:1-14); 8- Aparece para Tiago (I Co 15:7); 9-Jesus aparece para Paulo na estrada para Damasco (At 9).

10. Conforme as Escrituras: I Co 15:3-4 diz: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.”. A Bíblia testifica a ressurreição de Jesus. O novo testamento inteiro existe em função disso, enquanto o antigo testamento inteiro profetizava e apontava para esse momento. Portanto crer nas Escrituras é crer necessariamente na ressurreição. É uma impossibilidade lógica dizer-se crente na Bíblia e negar a ressurreição de Jesus Cristo.


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