Combate à perseguição religiosa foi um dos temas do discurso de Bolsonaro na ONU

Em seu primeiro discurso abrindo uma Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro falou sobre temas de interesse mundial. Bolsonaro reservou um trecho dos seus 31 minutos de fala para chamar a atenção do mundo para os riscos da perseguição religiosa.



O presidente declarou ainda que o Brasil apoia a criação do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião.



Leia trecho do discurso



A perseguição religiosa é um flagelo que devemos combater de forma incansável. Durante anos testemunhamos ataques covardes que vitimaram fiéis congregados em igrejas, sinagogas e mesquitas. O Brasil condena energeticamente todos esses atos e está pronto a colaborar com outros países para a proteção daqueles que se veem oprimidos por causa de sua fé.



Preocupam o povo brasileiro em particular a crescente perseguição, a discriminação e violência contra missionários e minorias religiosas de diferentes religiões do mundo. Por isso apoiamos a criação do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião. Nesta data recordaremos anualmente aqueles que sofrem as consequências nefastas da perseguição religiosa.



É inadmissível que em pleno século XXI, tantos instrumentos tratados e organismos com a finalidade de resguardar direitos de todos os tipos, ainda haja milhões de cristãos e pessoas de outras religiões que perdem a sua vida ou liberdade em razão da sua fé.



A devoção do Brasil à causa da paz se comprova pelo sólido histórico de contribuições para as missões da ONU.  Há 70 anos o Brasil tem dado contribuições efetivas para operações de manutenção da paz às Nações Unidas.



Um relatório publicado pela Comissão Americana de Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) chama atenção para o aumento alarmante da perseguição religiosa no mundo inteiro, especialmente contra os cristãos. Um ponto de destaque no levantamento diz respeito à tolerância dos países com relação a isso, quando a reação deveria ser oposta.



A USCIRF identificou que Mianmar, República Centro-Africana, China, Eritreia, Irã, Nigéria, Coréia do Norte, Paquistão, Rússia, Arábia Saudita, Sudão, Síria, Tajiquistão, Turquemenistão, Uzbequistão e Vietnã são os países que mais promovem a perseguição religiosa.



O comissário Anurima Bhargava explicou que a USCIRF tem observado também o aumento da tolerância com relação à perseguição religiosa. Ou seja, mesmo os países que não se encontram nas listas internacionais onde a intolerância religiosa é identificada de forma sistemática, esse tipo de violação aos direitos humanos tem sido visto com aceitação.



“Uma das coisas em que a comissão está realmente focada não é apenas quando há governos perpetrando a violência, mas quando os governos estão tolerando a perpetração da violência”, disse Bhargava.



Tony Perkins, outro integrante da USCIRF, destacou que o cristianismo é a religião mais perseguida, também pela própria doutrina pacifista. Assim, templos cristãos se tornam alvos fáceis de ataques. Contudo, ele acredita que é preciso haver uma mobilização em conjunto com forças militares para que os cristãos obtenham maior proteção.



“As igrejas, que são alvos fáceis, tornaram-se alvos para terroristas e, portanto, acreditamos que seria um papel muito eficaz do nosso governo se juntar a esses governos para fornecer o treinamento que seria uma combinação de policiais, agências de investigação, segurança doméstica, juntamente com as casas de culto para garantir a segurança”, disse ele.