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Caso Neymar chama atenção para risco de banalização do crime de estupro

O assunto do fim de semana foi a acusação de estupro contra o jogador Neymar. Após ver seu nome envolvido em um suposto crime contra uma mulher, de 26 anos, Neymar gravou um vídeo em que expôs sua conversa com a acusadora, que ele teria conhecido no Instagram. O vídeo traz detalhes íntimos que, segundo o atleta, comprovam que ele foi vítima de uma armadilha. A questão agora é que ao expor a conversa, inclusive com fotos borradas da mulher nua, Neymar será investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, segundo a Polícia Civil. Mas o lado preocupante dessa aventura do jogador e a suposta mentira da mulher é a banalização de um crime tão grave como o estupro.





Mulheres realmente vítimas de estupro têm lutado contra uma sociedade que sempre as acusa por usar roupas provocativas, ou circular em locais perigosos, ditos “inapropriados” para uma mulher, colocando a vítima como culpada pelo crime. Revoltadas com a suposta mentira, muitas pessoas usaram as redes sociais para mostrar que uma denúncia falsa de estupro compromete a batalha de todas as vítimas reais. Cria um exemplo ruim, que pode ser usado como desculpa e proteção para os bandidos.





Os estupros aumentaram no Brasil. Números mais recentes mostram que só em 2017 foram mais de 60 mil, média de 164 por dia, um a cada dez minutos. Quem estuda esses casos diz que o número é certamente maior, porque esse é um dos crimes com maior índice de subnotificações, ou seja, nem chegam ao conhecimento da polícia. Justamente porque muitas mulheres têm vergonha de fazer o Boletim de Ocorrência e serem acusadas de ter “provocado” o criminoso, seja por usar uma roupa sensual ou simplesmente por ser considerada fisicamente atraente.





Os estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rondônia têm os maiores índices de estupros por cem mil habitantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados mostram que 70% das vítimas de violência sexual são adolescentes e crianças: é o estupro de vulnerável. E a maior parte dessas crianças são vítimas de conhecidos, pai padrasto, primo, tio, vizinho, então, muitas vezes o perigo mora ao lado.