Mais que um navio, uma missão

Os tripulantes do Logos Hope, maior livraria flutuante do mundo, que ficará no Rio de Janeiro até o dia 06 de outubro, são uma atração a parte. Em um mundo onde diariamente somos confrontados com situações de violência, discriminação e desrespeito ao próximo, estas cerca de 400 pessoas, das mais variadas nações, por onde passam compartilham um comportamento que leva ao mundo conhecimento, fé e esperança.



Em seu discurso na cerimônia oficial de abertura do navio ao publico do Rio, o sul-coreano Pil-Hun Park, diretor administrativo do Logos Hope, falou um pouco sobre a missão da tripulação.



“Você consegue sobreviver em uma comunidade internacional como essa? Pensamos que seria impossível. Apesar de às vezes enfrentarmos dificuldades de tempos em tempos, a gente vive e caminha juntos nesse navio, buscando compreender o ponto de vista do outro”, comentou.



Quando um tripulante não entende o outro, a orientação de Park é para que não se interprete mal e faça o possível para construir algum entendimento.



“E a gente aprendeu isso na Bíblia. ‘Nada façais de ambição própria ou de vaidade mas em humildade e considerai uns aos outros maiores que a nós mesmos’. E esse é o ensinamento pelo qual pautamos a nossa vida”, disse o diretor.



Ele conta que a tripulação vive e anda sempre junto,  estimando uns aos outros independente da sua cor, da sua cultura ou do seu credo. 



“A bordo do Logos Hope nós desejamos expressar o coração da estima, o cuidado e apreciação pelas culturas daqueles que estão entre nós no navio e também nos lugares onde visitamos”, comenta.



“E finalmente nós gostamos e gostaríamos de refletir o amor do nosso Deus através das nossas vidas. ‘Logos’ significa a verdade. Nós estamos a bordo comprometidos em viver submissos à verdade de modo que possamos fazer a diferença nesse mundo”, completa.



Pil-Hun Park acredita que é possível fazer a diferença quando se escolhe perdoar, elevar a dignidade e o valor de cada pessoa que se encontra e quando se escolhe amar uns aos outros. E enalteceu a cidade do Rio de Janeiro.



“Nós estamos muito felizes de estar aqui no Rio de Janeiro e estamos cheios de expectativas para experimentarmos a beleza e a herança desse lindo país que é o Brasil. Mais do que tudo nós gostaríamos de conhecer o povo do Brasil, para construirmos uma amizade que seja perene com vocês”, disse.



O diretor convidou a população do Rio a  visitar o Logos Hope, a fim que de experimentarem a riqueza da variedade cultural de 60 países representados no navio. 



“Nós queremos sair do seu país e irmos para outros lugares do mundo enriquecidos pela generosidade e a boa ação do seu povo aqui. E nós queremos continuar a compartilhar conhecimento, fé e esperança para o povo daqui”, concluiu com gratidão.



Da França para o mundo



Uma das tripulantes é a francesa Sandra, que deixou os pais em janeiro de 2016 para se juntar voluntariamente ao Logos Hope. Nesse período, ela já passou por cerca de 30 países. Ela lembra em especial das crianças na África.



“Elas não têm nada, mas têm o sorriso que na verdade expressa a vida”, conta com lágrimas nos olhos.



Uma outra experiência que marcou a francesa não foi muito agradável.



“O navio navegava entre a África e o Caribe e, no último dia, tinha muito vento e o navio balançou muito e os livros caíram e também os utensílios na cozinha, foi durante a noite. Então as pessoas se lembram disso porque foi um susto, mas no final tudo saiu bem”, relembra.



Às segundas-feiras os tripulantes estão de folga e aproveitam para conhecer um pouco da cidade onde o navio está atracado. Mas os demais dias são de atividades intensas.



“Temos cinco dias de trabalho nas cabines, cozinha, limpeza, sala de máquinas, entre outras coisas. Um dia de projetos sociais, quando saímos com a equipe do navio e um dia livre. Essa é a rotina normal dos tripulantes”, conta.