Além de elogiar vereador que agrediu empresário, Lula coleciona outras frases polêmicas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) engrossou neste fim de semana a lista de discursos polêmicos. Desta vez, o petista foi duramente criticado nas redes sociais por conta de um trecho de seu discurso feito no sábado, no "ato pela democracia" convocado por partidos de esquerda em Diadema, na Grande São Paulo. Do palanque, o petista agradeceu ao ex-vereador do PT Manoel Eduardo Marinho, o Maninho do PT, que foi preso após agredir um empresário em abril de 2018. A vítima sofreu traumatismo craniano e o militante foi acusado de tentativa de homicídio qualificado pelo qual ficou preso por sete meses.

— Então, Maninho, eu quero em teu nome agradecer a toda solidariedade do povo de Diadema. Porque foi o Maninho e o filho dele que tiveram nessa batalha. Obrigado, Maninho. Essa dívida que eu tenho com você, jamais a gente pode pagar em dinheiro, a gente vai pagar em solidariedade, em companheirismo — discursou o ex-presidente que tenta voltar ao poder.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do presidente da República, compartilhou o vídeo do discurso e afirmou que Maninho do PT "é aquele que, juntamente com o filho, quase matou um empresário que bateu a cabeça num caminhão". A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tuitou que "Lula elogia barbárie, incentiva o crime" e que "é esse tipo de fotografia que Lula quer para seu país".

Mas esta não é a primeira vez que Lula enaltece autores de atos violentos. Em uma de suas falas mais criticadas, Lula demonstra pena de ladrões de celular.

"Eu não posso ver jovens de 14, 15 anos assaltando e sendo violentados pela Polícia... As vezes só porque roubou um celular", disse Lula em discurso realizado em novembro de 2019, após sair da prisão.

Em abril deste ano, Lula ofendeu policiais na tentativa de criticar o presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que o presidente "não gosta de gente, mas gosta é de policial". O político depois se desculpou.

No mesmo mês, em um encontro na sede da CUT, Lula declarou que os trabalhadores e movimentos sindicais deveriam "mapear" o endereço de cada deputado e comparecer em sua porta, com um grupo de 50 pessoas, para "incomodar" a sua "tranquilidade".

A fala foi criticada por parlamentares, que falaram em se defender caso militantes aparecessem em suas casas. Quatro dias depois, Lula reafirmou a declaração, mas pontuou que as pessoas deveriam agir "de forma civilizada".

Também em abril, Lula declarou que o aborto "deveria ser transformado numa questão de saúde pública e todo mundo ter direito".

Dias depois, após repercussão negativa, Lula voltou ao tema e se declarou pessoalmente contra o aborto, ressaltando que a sociedade precisa "transformar essa questão em saúde pública".

Lula também ofendeu nordestinos, antes tidos pelo partido como seu principal público-alvo. 

Em entrevista a jornalistas e youtubers em São Paulo, Lula reclamou do politicamente correto, dizendo que o Brasil "está chato para cacete". O petista defendeu que se façam piadas, por exemplo, sobre nordestinos.

"Queremos um mundo multipolar, que tenha 500 pessoas discutindo na mesa. Aí sim a gente vai ter um mundo feliz. O cara contando piada de nordestino e eu rindo. Eu contando piada de outras pessoas e as pessoas rindo", afirmou.

Este ano, o ex-presidente também arrumou “inimigos” entre militares ao afirmar que, se for eleito, vai tirar "quase 8 mil militares" de cargos no governo federal. O petista disse que pretende priorizar quem prestou concurso.

Mas no passado, mais precisamente em setembro de 2016, concursados e concurseiros se consideram ofendidos com parte da fala em que Lula considerou os políticos como os cidadãos mais honestos do país, numa comparação que soou pejorativa em relação aos servidores públicos. 

Em discurso de mais de uma hora, em que se disse vítima de perseguição política por parte do Ministério Público e pela Operação Lava Jato, e se considerou o brasileiro mais popular, Lula afirmou: "Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida".

Ele também causou espanto ao dizer em plena pandemia, em um dia em que mais de mil brasileiros haviam morrido de Covid-19, que "ainda bem que a natureza criou o monstro do coronavírus". Ele tentou justificar a frase infeliz, mas já era tarde demais. O vídeo com sua fala percorreu o mundo. 

Lula também já ultrapassou fronteiras com suas declarações de gosto duvidoso. E chegou a criticar o “excesso de democracia” na Venezuela.

“Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela. Poderia até dizer que [a Venezuela] tem excesso [de democracia]”, em setembro de 2005, durante encontro em Brasília com o então presidente venezuelano, Hugo Chávez. “Este homem, que apanhou como pouca gente apanhou, hoje, se transforma em um companheiro da maior importância.”

Ele também já menosprezou a população mais vulnerável ao dizer que “é fácil agradar aos pobres”.

“Não tem coisa mais fácil do que cuidar de pobre, no Brasil. Com dez reais, o pobre se contenta; rico não, por mais que você libere, quer sempre mais, nunca se conforma”, disse em julho de 2009.

Lula também ficou mal com a sua militância feminista ao defender a submissão das mulheres.

“Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida, ela tem que ser submissa a um parceiro porque ela gosta dele e quer viver junto com ele”, falou em janeiro de 2010. 

Até mesmo a liberdade de expressão é ameaçada pelo ex-presidente. “Se eu voltar, vai haver uma regulação dos meios de comunicação. A gente não pode continuar permitindo que meia dúzia de famílias sejam donas dos meios de comunicação”, falou em janeiro de 2018.



 



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