Delação de Marcos Valério liga PT ao grupo criminoso PCC A delação de Marcos Valério foi um dos assuntos mais comentados ao longo deste fim de semana no Twitter. Desde sexta-feira (01), quando a revista “Veja” revelou vídeos de parte da delação premiada em que o publicitário mineiro fala sobre uma suposta relação de petistas com a facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital). Veículos especializados em desmascarar fake news confirmara a autenticidade do depoimento junto à Polícia Federal.

o vazamento da delação ocorre quase dez anos após Marcos Valério ter recebido a maior pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos mensaleiros. A delação foi homologada pelo ministro aposentado do STF Celso de Mello.

O processo foi enviado na última sexta pela Procuradoria-Geral da República ao STF (Supremo Tribunal Federal) e está sob responsabilidade do ministro Nunes Marques.

No depoimento, Valério afirmou que o ex-secretário-geral Sílvio Pereira lhe disse que o empresário Ronan Maria Pinto ameaçava revelar que o PT recebia dinheiro de empresas de ônibus, de operadores de transporte clandestino e de bingos, que lavavam dinheiro para o PCC. O dinheiro financiaria campanhas do partido ilegalmente.

Valério disse que o petista Celso Daniel, que comandava a prefeitura de Santo André (SP) e foi assassinado em 2002, havia montado um dossiê com os nomes de petistas que estavam recebendo financiamentos ilegais.

O dossiê não teria sido encontrado depois da morte de Celso Daniel.

Ainda de acordo com ele, após o assassinato de Daniel, o PT fez uma “limpa” e afastou integrantes que tinham ligações com o crime organizado.

Valério foi condenado a 37 anos de prisão no processo do mensalão. De acordo com a Justiça, ele atuou como operador de pagamentos a parlamentares que teriam negociado apoio ao governo Lula no Congresso durante o primeiro mandato do ex-presidente.

A defesa de Valério ainda não se manifestou sobre o vazamento da delação. E os petistas citados na reportagem também não tocaram no assunto até o início desta segunda-feira (04).

Repercussão
O ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro (União) foi às redes sociais neste domingo (3) para pressionar pela aprovação de regras mais rígidas para blindar a administração pública da influência do crime organizado. A publicação ocorre após a divulgação de vídeo com trechos da delação premiada de Marcos Valério.

“Na minha gestão no Ministério da Justiça, combatemos implacavelmente o crime organizado, PCC e outras siglas. Aprovamos a lei do confisco alargado de bens, isolamos os líderes em presídios federais, sem comunicação externa não-monitorada, entre outras medidas. Assistindo o recente noticiário, concluo que precisamos continuar essa luta, urgindo a aprovação de lei que impeça com maior rigor a infiltração do crime organizado na Administração Pública e em partidos políticos. Chega de diálogos cabulosos”, disse Moro.