Bullying: 23% dos estudantes relatam sofrer ofensas por parte de colegas Bullying e cyberbullying são, infelizmente, práticas muito comuns em nossa sociedade. A primeira acontece em um espaço físico (como na escola ou no trabalho), já a segunda se dá na internet, sobretudo nas redes sociais. As duas têm a intenção de ferir, machucar, causar constrangimento e podem acarretar impactos bastante negativos na vida de quem é alvo.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021, mostram que aproximadamente 23% dos estudantes relatam sofrer bullying por parte de colegas de escola. A mesma pesquisa revelou que os três maiores motivos para as agressões são a aparência do corpo (16%), aparência do rosto (11%) e cor ou raça (4%). O levantamento destacou ainda que, nas redes sociais e aplicativos, 13% dos adolescentes já se sentiram ameaçados, ofendidos e humilhados.

Para Vanessa Harrell, psicóloga da Clínica Maia, no geral, as pessoas fazem piadas com a aparência das outras por se acharem superiores, sentindo-se aptas para julgar o que é certo ou errado, bonito ou feio. Normalmente, elas têm uma visão distorcida de si e dos outros; são indivíduos que necessitam de atenção a todo o momento e que precisam ser validadas, aceitas.

Quem está sempre fazendo brincadeiras com as pessoas, o clássico "perde o amigo, mas não perde a piada", apresenta um perfil mais arrogante, não sente culpa quando faz algo de errado, acha que está sempre certo, demonstra preocupação excessiva com a imagem e quer estar no controle em todas as situações.

"Essas pessoas encontram na ofensa uma forma de colocar para fora suas próprias inseguranças. O famoso psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung diz que 'tudo que nos irrita no outro pode levar a uma melhor compreensão de nós mesmos', ou seja, a piada sobre o outro diz mais sobre quem faz do que sobre quem é alvo dela. É como se o piadista acreditasse -- consciente ou inconscientemente -- que ao evidenciar o defeito do outro, ele consegue esconder as suas próprias imperfeições", explica a psicóloga.

E aqui vale ressaltar também uma diferença fundamental: afinal de contas, quando a piada, a brincadeira, vira bullying? De acordo com Vanessa, depende muito da intenção daquele que fala e do sentimento daquele que recebe.

"Uma piada é um recurso humorístico utilizado na comédia e na vida cotidiana. O bullying é um abuso, é um comportamento repetitivo que tem a intenção de ferir, ameaçar, causar medo, vergonha e tentar paralisar o outro. Então, uma brincadeira passa a ser bullying quando causa sofrimento para quem é alvo e satisfação para quem o pratica", alerta a especialista.

Essas ofensas geram marcas profundas na vida da vítima, inclusive com consequências físicas, como falta de apetite, problemas intestinais, dores de cabeça, baixo desempenho nas atividades diárias, e, principalmente, sequelas psicológicas. "O abuso desencadeia uma intensa falta de autoconfiança e pode acarretar transtornos de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, e até levar a pessoa a ter ideações suicidas", completa Vanessa.