Programa Prato Feito Carioca inaugura duas primeiras cozinhas As duas primeiras cozinhas comunitárias do programa Prato Feito Carioca foram inauguradas nesta terça-feira (21) pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). A primeira refeição foi servida na cozinha do Projeto Sacode Mangueira, depois foi a vez do Clube Renascença, no Andaraí. Até o início de julho, mais 13 cozinhas comunitárias serão inauguradas na cidade.

O público é selecionado entre as famílias mais vulneráveis, que se encontram em situação de insegurança alimentar e são atendidas pelos 47 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade. As pessoas escolhidas vão pegar suas refeições nas cozinhas de forma gratuita, diariamente, na região onde vivem.

– O drama da fome, que parecia já ter sido superado pelo Brasil, infelizmente voltou a existir. Esse é um programa que leva comida para as pessoas mais vulneráveis. Estamos abrindo as cozinhas comunitárias em locais perto das comunidades e dos mais necessitados, o que evita o deslocamento deles. Vamos garantir direito à refeição diária para todas as pessoas em vulnerabilidade na cidade do Rio, que eventualmente estejam passando fome. O programa vai ser distribuído por toda a cidade – afirmou o prefeito Eduardo Paes.

As cozinhas nas comunidades foram qualificadas, equipadas e integradas ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Cada uma dessas instalações recebeu apoio operacional e técnico da Prefeitura para oferecer refeições nutritivas e balanceadas, com respeito às normas de manipulação de alimentos do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária. A Secretaria de Assistência Social fornece equipamentos, alimentos e todas as cozinhas têm equipes constituídas por coordenador, nutricionista, assistentes, estagiários e técnicos. E o ‘cozinheiro solidário’ atua como grande articulador local.

A previsão é de que cada cozinha sirva 5.600 refeições por mês. Três organizações da sociedade civil, escolhidas por meio de processo seletivo público, selecionaram as cozinhas nas comunidades: o Instinto Carioca, para administrar as áreas da 1ª, 2ª e 3ª CAS (Coordenadoria de Assistência Social); o Instituto Realizando o Futuro, para 4ª, 5ª, 6ª e 7ª CAS; e Desam, para 8ª, 9ª e 10ª. As dez Coordenadorias cobrem toda a extensão da cidade, do Centro à Zona Oeste.

– A expectativa é que a gente forneça 200 refeições, diariamente, para cada comunidade. A ideia é que cada cozinha produza 5.600 refeições por mês. Essa é a primeira iniciativa do município para criar, de fato, uma política de segurança alimentar, considerando que o Brasil voltou para o mapa da fome – disse a secretária de Assistência Social, Maria Domingas Pucu.

O programa Prato Feito Carioca é o primeiro da história da cidade voltado para garantir alimentação com qualidade para a população em situação de insegurança alimentar. A política pública vai fortalecer ações coletivas e dar início à construção da Rede Carioca de Segurança Alimentar e Nutricional para enfrentar a volta da fome trazida pela recessão econômica e agravada pela pandemia de Covid-19.

Embora previstas pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), criado em 2006, as cozinhas comunitárias nunca foram implementadas de forma sistemática como programa de governo em nenhuma cidade brasileira.

O programa global tem dois eixos de atuação: a Cozinha Comunitária Carioca e o Cartão Prato Feito Carioca, e é gerido pelo Centro de Referência de Segurança Alimentar e Nutricional (Cresan). A entrega do cartão magnético Prato Feito Carioca, a partir de 1º de julho, garantirá uma refeição por dia para trabalhadores informais inscritos no CadÚnico (Cadastro Único dos programas sociais federais). O cartão não terá encargos para o usuário. O custo de cada refeição será subsidiado pela Prefeitura. Com o cartão, o usuário poderá comer no próprio restaurante ou levar quentinha para casa.

Moradora da Mangueira há mais de 60 anos, Elenilda Felipe da Silva ficou feliz quando soube que seria instalada uma cozinha comunitária no local. Acompanhada pelo CRAS da região, ela conta que está cada vez mais complicado ter dinheiro para alimentar, diariamente, os seus sete filhos.

– Esse programa é muito importante para os moradores, para quem mais precisa. A situação está difícil, eu tenho um filho especial. Assim, a gente vai economizando um pouquinho durante a semana, para poder conseguir comprar comida para os filhos no fim de semana – disse Elenilda, que recebeu a primeira refeição das mãos do prefeito Eduardo Paes.


*Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio