Uso da emoção e não da razão por igrejas brasileiras preocupa renomado filósofo cristão

O americano William Lane Craig, que acaba de completar 70 anos é, provavelmente, o mais influente filósofo cristão da atualidade. Ele faz parte de uma geração que conseguiu recolocar a discussão a respeito de Deus sobre a mesa nas faculdades de filosofia. Ao mesmo tempo, Craig acumula milhões de visualizações com seus vídeos no YouTube. 



“Estou feliz por debater com o doutor Craig, o apologista cristão que parece colocar o temor de Deus em algum de meus colegas ateus”, disse Sam Harris, um dos chamados “quatro cavaleiros do ateísmo”, ao iniciar um debate com Lane Craig em 2011.



Doutor pelas Universidades de Birmingham, na Inglaterra, e de Munique, na Alemanha, Craig também leciona na Universidade Biola, na California, e na Universidade Batista do Texas.



Diante da afirmação da Gazeta do Povo de que “a crença em Deus parece estar em declínio acelerado em todo o mundo desenvolvido, especialmente em países onde as pessoas têm mais acesso ao ensino superior”, o filósofo foi enfático.



“Isso não é verdade, como o exemplo dos Estados Unidos mostra claramente. A nação mais rica e poderosa no mundo hoje também é a nação com o maior número de cristãos e é a sociedade mais evangelizada da Terra. Vinte e dois por cento dos evangélicos do mundo vivem nos Estados Unidos, e a vitalidade, diversidade e tamanho das organizações e atividades cristãs aqui são quase indescritíveis”, afirmou o filósofo.



Craig, afirma que os Estados Unidos foram o principal veículo para levar o Cristianismo ao resto do mundo no último século. Segundo ele, 35% dos missionários do planeta são dos Estados Unidos e 76% das contribuições financeiras de evangélicos vêm dos Estados Unidos. 



“Mesmo na Europa, a situação não é tão óbvia. Um estudo feito pelo sociólogo Egbert Ribberink, da Universidade Erasmus de Roterdã, na Holanda, revelou que, em países predominantemente seculares, o ateísmo atrai principalmente as pessoas com menos educação, enquanto pessoas com nível educacional mais elevado tendem a ver o ateísmo como algo muito raso e militante”, disse Craig.



Ele lembra que Ribberink conclui que a visão de que a crença religiosa é irracional e morre assim que as pessoas adquirem uma mentalidade mais científica “não se coaduna com os resultados”.



O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris. Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.



"Na verdade, nós estivemos em um debate com seis pessoas juntas há alguns anos na Cidade do México. O debate está disponível no YouTube. Uma fonte confiável me disse que a relutância de Dawkins em debater comigo não tem nada a ver com a minha pessoa. É que ele se recusa terminantemente a debater com um filósofo. A filosofia é uma disciplina com a qual ele não é familiarizado, então acredito que a recusa dele é algo sábio da parte dele”, comentou.



O uso da emoção em detrimento da razão por grande parte das igrejas brasileiras, preocupa Craig. 



"Considero o chamado ‘evangelho da saúde e da riqueza’ uma séria ameaça ao Cristianismo no Brasil, já que ele é uma distorção terrível do Cristianismo bíblico. Portanto, estou determinado a fazer tudo o que posso para trazer recursos educacionais para os cristãos no Brasil poderem oferecer treinamento em doutrina cristã e apologética”, disse o filósofo à Gazeta do Povo.