Metade das pessoas com herpes-zóster desenvolve sintomas oculares O herpes-zóster é uma infecção causada pelo vírus varicella-zóster, muito comum na infância. Nessa fase da vida, o vírus pode levar ao desenvolvimento da catapora, sem grandes complicações.

Porém, o varicella-zóster permanece no organismo, alojado em um nervo. Ao longo da vida, cerca de 20% das pessoas contaminadas previamente pelo vírus podem desenvolver o herpes-zóster.

Segundo estimativas, a doença pode afetar 1 em cada 100 pessoas com mais de 60 anos, principalmente aquelas com baixa imunidade.

Segundo a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, quando o vírus atinge os nervos cranianos, causa as manifestações oculares. “Isso pode ocorrer em até metade dos infectados. O herpes-zóster oftálmico ocorre quando o vírus se espalha na divisão oftálmica do nervo craniano trigêmeo”.

“A pessoa pode desenvolver desde uma conjuntivite até condições mais graves, que afetam a córnea como a ceratite. É muito importante que as pessoas saibam que o herpes-zóster ocular é uma emergência oftalmológica devido ao risco de perda de visão se não for identificada e tratada rapidamente, no início do curso da doença”, diz a médica.

Após um episódio de herpes-zóster ocular, a pessoa pode desenvolver lesões agudas na córnea, na retina, bem como uveíte, esclerite e neurite óptica. Outra condição é a neuralgia pós-herpética, que pode ser bastante dolorosa.

Dor pode ser insuportável

As lesões causadas pelo herpes-zóster afetam os nervos. Por isso, a dor pode ser intensa e, para muitas pessoas, insuportável.

“Antes de surgirem as lesões, que inicialmente são bolhas e evoluem para feridas, a pessoa pode sentir uma espécie de formigamento no local, apresentar febre baixa, fadiga e mal-estar geral”, explica Dra. Maria Beatriz.

Vale ressaltar que as lesões oculares são acompanhadas de lesões na face. Aliás, quando há lesões na ponta do nariz, é sinal de que há envolvimento ocular, principalmente da córnea, já que o nervo nasociliar é responsável pela inervação da ponta do nariz e da córnea

Tratamento de urgência

O herpes-zóster ocular é uma doença imprevisível. Por isso, o ideal é iniciar o tratamento dentro das 72 horas dos sintomas que antecedem a eclosão das bolhas, como o formigamento, febre, cansaço e mal-estar.

“O tratamento é feito, principalmente, com antivirais que reduzem a dor e a incidência das complicações oculares”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Infelizmente, o herpes-zóster ocular pode elevar o risco do desenvolvimento da vasculopatia, que aumenta o risco de problemas como o acidente vascular cerebral (AVC).

É importante ressaltar que existe vacina para a doença e a recomendação é que ela seja aplicada por volta dos 50 anos. Infelizmente a vacina só pode ser encontrada na rede privada.

Após o herpes-zóster, a pessoa precisa fazer um acompanhamento oftalmológico mais frequente para que possíveis complicações sejam detectadas de forma precoce.

"O oftalmologista também deve estar atento para os sinais neurológicos para encaminhar o paciente para as outras especialidades. Por fim, o tratamento precoce da herpes-zóster ocular é fundamental para um bom prognóstico”, finaliza Dra. Maria Beatriz.