Sociedade de Geriatria chama a atenção para denúncias de violência contra idosos No próximo dia 15 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), por meio do Disque 100, entre janeiro e dezembro de 2021, mais de 82 mil denúncias de violência contra idosos foram registradas em todo o país. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chama a atenção para a importância da denúncia e para as diferentes formas de violência a que a população em idade avançada está exposta.


"As violências podem se manifestar de várias formas e sempre trazem prejuízos aos que são por ela afetados. As violências mais frequentes são: violência física (como maus-tratos, agressões, abusos, ferimentos), violência psicológica (que envolve agressões verbais, humilhações, ameaças), a violência sexual, a negligência e o abandono (omissão e ausência de cuidados que são necessários) e a violência financeira (envolve uso não consentido de recursos financeiros e patrimoniais, bem como uso ilegal de recursos)", explica a Dra. Vania Beatriz Merlotti Herédia, Especialista em Gerontologia pela SBGG.


Segundo a especialista, durante a pandemia os registros de violência contra a população idosa aumentaram muito no Brasil por conta do confinamento. A principal violência notada foi a financeira. "A violência financeira e/ou patrimonial cresceu de forma considerável, tendo sido identificado que os agressores são pessoas do circuito familiar. Uso indevido de cartões e da aposentadoria, empréstimos consignados, falsificação de assinaturas, vendas de bens sem conhecimento e permissão, são situações que lesam a dignidade dos idosos e ferem os princípios básicos, garantidos pela legislação", aponta a Dra. Vania Herédia.


Já a violência psicológica sempre é motivo de intenso sofrimento para as pessoas idosas, resultando em situações de angústia, depressão, diminuição da autoestima, descontrole emocional e, inclusive, o sentimento de perda afetiva. A situação é agravada quando se nota que o deflagrador das violências é, grande parte das vezes, uma pessoa muito próxima à vítima, o que dificulta a iniciativa de se denunciar.


"A preocupação de quem sofre a violência em denunciar o agressor é que muitas vezes o agressor é o próprio cuidador. Como viver sem o cuidador? Como conviver com o agressor depois da denúncia? Em alguns estudos, existem registros da dificuldade que os idosos têm de denunciar o filho, o neto, a nora, o cônjuge, ou seja, o agressor da família. Em uma pesquisa que realizamos acerca do Disque 100 no Rio Grande do Sul, identificamos que as denúncias eram feitas por vizinhos, amigos e parentes. Chama a atenção a necessidade de um aparato legal que dê suporte quando da evidência da violência", alerta.


Conhecida como Estatuto do Idoso, a Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, prevê a proteção contra a violação dos direitos humanos a fim de proteger a população idosa. Logo nos primeiros artigos, ela estabelece que "o idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, assegurando-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade".


Sinal de alerta

Segundo a Dra. Vania Herédia, para que o número de denúncias aumente ainda mais e que haja um declínio nos casos de violência, é necessário que as pessoas idosas sejam alertadas dos riscos que correm e que tenham o conhecimento necessário para garantir a autonomia e independência. "As informações devem ser claras e precisas para que o idoso tenha condições de escolher com segurança. Nem sempre as informações dadas pelas instituições, pelos meios de comunicação e mesmo pelas famílias são claras o suficiente para que os idosos tenham noção do risco que correm. O crescimento de golpes, nas suas mais diversas origens, poderia ser evitado se as informações fossem utilizadas em benefício da população idosa".


Outro personagem que pode ter papel de destaque no combate à essas violências é o profissional da saúde, como salienta a especialista em Gerontologia pela SBGG: "Os profissionais de saúde são muito respeitados pelos idosos e podem orientar - tanto o idoso quanto a família - dos riscos que existem em casos de provas de violência. Podem também promover ações preventivas, dialogando sobre as situações vivenciadas, a fim de esclarecer as consequências da violência. Como a data diz, combate significa que a sociedade reconhece a presença da violência contra essa população. Então, ela tem por função refletir sobre a importância do idoso e também de estimular uma mudança de cultura que oportunize o fim dessa violência, uma vez que qualquer tipo de violência é condenável".