Publicidade

TV americana divulga entrevista censurada por Nicolás Maduro O jornalista mexicano Jorge Ramos, considerado o âncora de notícias em espanhol mais conhecido nos Estados Unidos, divulgou neste domingo (02) nas redes sociais um vídeo de uma entrevista com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que havia sido confiscado.



Em 25 de fevereiro, o jornalista da Univisión entrevistou Maduro no Palácio de Miraflores, em Caracas. Depois de 17 minutos de conversa tensa, o presidente venezuelano interrompeu a gravação por não tolerar algumas perguntas.



A equipe de segurança de Maduro reteve toda a equipe de TV durante mais de duas horas. Além disso, confiscou o material, as câmeras e os cartões de memória. Depois de três meses, o jornalista conseguiu recuperar a entrevista, que foi transmitida na íntegra nesse domingo. A gravação saiu do palácio presidencial graças a “fontes confidenciais” que, segundo Ramos, não terão suas identidades reveladas por questões de segurança.



Um dos momentos mais tensos da entrevista mostra o jornalista questionando Maduro sobre presos políticos. Visivelmente irritado, Maduro nega que no país haja pessoas perseguidas por sura orientação ideológica. Mas o entrevistador lhe apresenta uma lista com os nomes de mais de 400 detidos. Irritado, o sucessor de Hugo Chávez manda o jornalista engolir a lista com Coca-Cola.



Na entrevista censurada, o jornalista ainda questionou Maduro sobre as centenas de mortes de jovens que haviam protestado contra o seu governo. O presidente venezuelano disse que não poderia ser acusado de assassino, mas Ramos apresentou documentos que comprovam os crimes. Maduro ameaçou o jornalista dizendo que, se ele fosse venezuelano, teria que responder à justiça.



Após Maduro interromper a entrevista e confiscar todo o equipamento, a equipe da Univision ficou detida por duas horas e meia e mais tarde foi escoltada até o seu hotel na capital venezuelana, que permaneceu vigiado por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência. No dia seguinte, a equipe deixou o país.