Ator Mário Gomes presta queixa contra colégio que usou meme com imagem de Cristo em prova

O ator Mário Gomes explicou nas redes sociais o motivo de ter procurado a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Rio. Em vídeo, ele disse que registrou uma queixa contra o colégio de seu filho, CAP Ufrj, por intolerância religiosa.

Segundo o artista, seu filho adolescente é católico e se sentiu vítima de intolerância diante de uma prova em que a imagem representando Cristo crucificado aparece com o título: “Bandido bom, é bandido morto”.

“Isso aqui é um sacrilégio. ‘Bandido bom é bandido morto’, como se Jesus Cristo fosse algum bandido. Alguém que pregou a paz, que pregou a compreensão, o entendimento entre a pessoas, e aí, a gente está aqui na frente do inspetor, muito atencioso e solidário, e compreendeu completamente a nossa posição, que é uma agressividade contra uma criança e meu filho é católico e temente a Deus”, disse Mario Gomes no vídeo na delegacia.

"Temos nos segurado para não interferir na 'política de ensino', CAP UFRJ. Agora não foi uma gota, mas um balde d'água. Não conseguimos suportar esse enorme desrespeito. Sabemos onde querem chegar. Basta!!!! N° do B.O. 962-00197/2022”, desabafou o ator.

A questão da prova mostrada por Mário Gomes cita um “meme” do pintor espanhol Diego Velásquez, como o que o ator considerou um “sacrilégio”.

O enunciado da questão diz:

"Este é um meme criado a partir da obra “Cristo Crucificado”, do pintor espanhol Diego Velásquez. Considerando o meme, identifique pelo menos um dos três tipos puros de dominação conceitualizados por Weber. Justifique-se, sempre em termos weberianos", pede a questão.

A Polícia Civil disse que todos os envolvidos serão ouvidos e que a investigação está em andamento.

Crime


A Lei 9.459, de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Sendo assim, ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso. O crime de discriminação religiosa é inafiançável – o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade - e imprescritível, ou seja, o acusado pode ser punido a qualquer tempo. A pena prevista para este crime é de: reclusão por um a três anos e multa.

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos, as denúncias pelo canal “Disque 100”, em razão de crimes de discriminação às crenças religiosas, cresceram mais de 600%, constatando a urgência de uma mudança de postura e mentalidade por parte de alguns.